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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Peça de Circo-Teatro "Morrer pra ter Dinheiro" (out 2010)

Criei os figurinos dessa peça a convite de Frederico Foroni, que foi convidado a dirigir este espetáculo pela Cia Capadócia.

As primeiras fotos são de momentos antes do espetáculo começar e as que seguem são desta primeira apresentação, em Sorocaba-SP dia 24/10, com o cenário ainda inacabado. No meio, há alguns dos desenhos que realizei para os figurinos destes personagens.
Os atores Wilson Vasconcelos e Beto Rodrigues preparam a maquiagem antes de entrar em cena

Rosy Cunha, que também é maquiadora prepara o personagem Valente Brochado
Rosy Cunha agora preparada para "valentemente" afligir o tonto do Brochado
Grazy e Wilson já caracterizados como Belinha e Lindomar

Graziella Dias, feliz com seu make, minutos antes de estrear a peça

ALGUNS DESENHOS PARA PERSONAGENS










FOTOS DO ESPETÁCULO




Uma mulher perigosa... fatal!
Rosy como tia Izilda
Belinha e Valente Brochado



O Juíz de paz irá celebrar o casamento - Rosy ficou maravilhosa com este bigode, não ficou?
E o Malaquias ainda aproveitou pra tirar uma casquinha..r.s.
Graziella Dias em seu segundo traje na peça - noiva


Rosy Cunha no papel de tia Magnólia - com direito a pinta e sotaque português!
O vestido tinha uma fenda deslocada pro lado tanto na frente quanto atrás




Beto Rodrigues como Malaquias, e seu casaco - o mais desejado da peça, desde as costureiras!..rs..

REFERÊNCIAS PARA CRIAÇÃO DOS FIGURINOS

Minha pesquisa para inspirar a criação de figurinos não poderia ter sido outra. Aproveitamos todo meu repertório em Fellini, idéia que o Fred curtiu muito e fez questão incluir. Considerei desde seus filmes (como I Clowns, principalmente) aos seus desenhos e rabiscos, aproveitando não os desenhos feitos especificamente para palhaços, mas os feitos para personagens "comuns".

Ainda que não houvessem palhaços legítimos, completos em seus figurinos, pois nesta peça temos dois "palhaços desconstruídos", não faltou uma boa pesquisa de clowns. Gosto dos clássicos, os palhaços mais antigos. Selecionei aqui duas imagens que gostei muito para o Malaquias. Gostei tanto que nenhum desenho que eu tenha feito superou o que vi nessas fotos.
O clown de Anne Fratellini foi referência para o figurino de Malaquias
O clown, Bumpsy, que aparece nesta foto também foi fonte de inspiração para Malaquias
Agradeço ao Fre, pelo convite renovado e pela parceria verdadeira, em todos os momentos - desde os mais divertidos aos mais difíceis. (.r.s.)
E agradeço por ter conhecido algumas pessoas em especial - vai aqui um beijo para as costureiras Judite, Leci e Didi, sem as quais estes figurinos não teriam ficado prontos e bonitos em tão pouco tempo; e vão aqui mais outros beijos: pra Leleca e pra parte do elenco com quem pude trocar algumas boas figurinhas: Rosy, Grazy e Beto - pessoas guerreiras e cheias de talentos! Espero que nos encontremos em breve em um novo trabalho!

sábado, 28 de agosto de 2010

Longametragem Corte Seco (julho/agosto 2010)

Corte seco, inicialmente chamado Espadas de Papel é um filme de longametragem dirigido por Renato Tapajós, cineasta documentarista por tradição. Espadas de Papel é seu primeiro filme de ficção. Mesmo assim, entrando em contato com  seu projeto e seu olhar sobre esta história auto-biográfica, percebo que Renato só não filmou os fatos enquanto eles aconteciam porque não era possível estar sofrendo os horrores da ditadura e registrá-los, ao mesmo tempo.
No entanto, tendo registrado em sua alma o que viveu, sem se isentar de nada, Renato escreveu este roteiro - cujo nome acho muito bonito - e resolveu filmá-lo como se fizesse um documentário.

Promo do longa metragem, que teve seu nome mudado para Corte Seco.

Neste projeto assino a Cenografia e a Produção de Arte.

Fotos por Carolina Bassi, Mariana Maurer, Coraci Ruiz e Julio Matos 

CENÁRIO DO BAR
 
Podendo interferir muito pouco na locação, confeccionei azulejos que parecessem pertencer à década de 60 para diferenciar o cenário.
Minha assistente neste filme, Yara Faria de Barros e eu, antes de começarmos a filmar

CENÁRIO DO APARELHO
Esta era a locação que tínhamos para fazer a Sala do Aparelho. Ela estava neste estado quando a encontramos. Tínhamos muito medo que ela locação caísse, não do roteiro, que caísse mesmo..rs.. pois era uma casa condenada e não habitada há 4 anos... Ainda bem que deu tudo certo!
Ficou assim:
 Equipe durante o set
"Aparelho" era o nome dado ao lugar onde os ativistas políticos se encontravam para elaborar suas estratégias de ataque, suas investidas políticas. Segundo Renato e Alípio, era um lugar bagunçado, usado para este tipo de encontro mas que precisava dar uma aparência de casa, de preferência de família, para não levantar suspeitas. Muitas vezes alguns companheiros figuravam como familiares, irmãos mais novos ou mais velhos para os vizinhos.
O aparelho que montamos, remonta ao aparelho de Renato na década de 60,  e seria para a nossa referência atual como uma "república" de estudantes.
 
Escolhi este tom de azul, que a Juliana também gostou muito, pela alegria da cor e porque era também um tom bem representativo da paleta da época. 
Minha escolha de tecidos para as almofadas também teve como base estampas desta época.

CENÁRIO DE APARTAMENTO DE ALDO
Esta era a locação para a Sala do Apartameto de Aldo. Ficava no andar de cima da Sala do Aparelho e estava neste estado.
 
Ficou assim:
 Nesta foto, lá na poltrona ao fundo, você pode ver o Alípio Freire. Jornalista e artista plástico, pessoa muito querida. Cedeu pequenos objetos para a produção de objetos (Mariana Maurer e Mariana Kinoshita) decorarem este cenário - que pertencia ao Aldo, personagem que o representa na vida real.
 
Ator Alexandre Caetano em cena, como Aldo.
Era nosso cenário preferido. Fiz as cortinas (de tecido de crochet ocre e fundo de musseline), o sofá com estampa em zigue-zague, apliquei o tecido de linho quadriculado na parede, o rodapé, laminei de madeira Ypê a porta e mudei a cor da parede do fundo. O chão é o mesmo, acreditem! Depois de uma boa limpeza e uma cerinha ficou com essa cara, um piso ótimo de madeira de lei. 

CENÁRIO DA CELA
 
 
"Bois" da cela - são vasos sanitários turcos, que o Samuel, pintor de arte, confeccionou de cimento. 

Atores antes de entrar em cena


Da direita para esquerda, Hidalgo Romero, Marcelo Lazaratto e Renato Tapajós conversando sobre a cena entre uma das tomadas

 CONSTRUÇÃO DO PAU DE ARARA E DO TRONO DO DRAGÃO
Desenho que fiz para construção do pau-de-arara, baseado nos relatos de Renato. Como queríamos  a madeira num tom acinzentado, eu comprei numa casa de material de demolição uma madeira específica que encontrei já no tom que queríamos. Comprei também os parafusos enormes da base, já enferrujados, que fazem com que esta base pareça presa ao chão.

Samuel, pintor de arte, envelhecendo o pau-de-arara

 
Pau-de-arara em cena com Gabriel Miziara amarrado

Detalhe da amarração feita

Trono do dragão antes de receber as placas de zinco 

CENÁRIO DAS SALAS DE TORTURA
 
Trono do dragão já pronto com aparato para choques à frente, feito com uma televisão Telefunken dos anos 60, e uma porção de fios elétricos. Todos os elementos foram construídos segundo depoimentos de presos políticos com quem conversamos, incluindo o diretor, Renato Tapajós e o Alípio Freire.
Caixa de força confeccionada - objeto também usado para dar choques na Sala de Tortura. 
"Respiro" que eu quis colocar nessa parede, para dar uma impressão mais claustrofóbica às Salas de Tortura, como se fossem às únicas passagens para ventilação. 
Nesta parede havia esta escada que decidi manter, pois dava uma impressão muito estranha sobre o lugar - afinal pra onde vai esta escada? ela é usada pra prender alguém?
 
O ator Gabriel Miziara em cena em uma das Salas de Tortura

As paredes anteriormente tinham uma cor creme, cor padrão em todos os prédios do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) que nos cedeu suas instalações para as filmagens. 

Para o filme foram pintadas em tons de cinza que escolhi seguindo o conceito estabelecido pela direção de arte de que toda esta fase da prisão dos ativistas políticos fosse uma fase de sofrimento, repressão, opacidade sentida nas cores, nas imagens do filme. 

O tom especificamente escolhido para a sala de tortura foi um cinza com uma porcentagem de amarelo que o tornava mais esverdeado que azulado, aquecendo um pouco a cena, ajudando a tornar a atmosfera um pouco mais quente no sentido de abafada.

Depois da pintura lisa feita, foi aplicada a pintura de arte pelo Samuel (visto na foto anterior envelhecendo o pau-de-arara) que envelheceu as paredes, acrescentando as manchas de umidade, mofo, descascados, etc. 
Um excelente profissional de pintura este Samuel, que trabalhemos juntos muitas outras vezes!
  


CENÁRIO DO ESTÚDIO DA RÁDIO
Palco do estúdio da Rádio Independência.
Cenário completamente construído.
Ator esperando para entrar em cena, dentro do aquário do estúdio. Detalhe para a plaquinha do "No ar" acesa..rs..
 
Gabriel Miziara
Cena em que o personagem Rodrigo, interepretado por Gabriel Miziara, rende o apresentador da Rádio Independência.
Equipe de arte reunida na sala de equipamentos do estúdio da rádio, Juliana Pfeifer (direção de arte), Carolina Bassi (cenografia), Yara de Barros (assistente de produção de arte) e Mariana Maurer (produção de objetos).

BANQUINHA EM FRENTE AO CEMITÉRIO
Banquinha em frente ao cemitério e carro de época. Foi a mesma cena do bar,  cujos azulejos vimos na primeira foto.

CENÁRIO DO PÁTIO INTERNO DO QUARTEL
O trabalho maior para a cenografia neste cenário foi a pintura, eram muitas paredes para serem pintadas. E por serem prédios antigos estes do IAC, nem toda a construção estava em bom estado de conservação o que implicou em fazer pequenos reparos nas paredes e marquises antes de iniciar o processo da pintura.