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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


as coisas que me roubam de mim
são muito abastadas delas mesmas
tanto, que não se bastam.

há aquelas que me roubam
num súbito insuspeito, como bênçãos
e ao voltar a mim, sinto que me ganhei renovada como um presente

mas há aquelas que me roubam
só para eu me perder,
sem dó nem mágoa, na primeira esquina, ou virada.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

imagens do re-verso

Jorge Luis Borges 2Viviane Moséo tempo - Viviane Mosé - risquinhoViviane Mosé 2Jorge Luis Borges 3Saudade - Guimarães Rosa 2
Viviane Mosé 3Viviane Mosé 6Viviane Mosé 5Viviane Mosé 4Jorge Luis Borges 4Jorge Luis Borges
imagens do re-verso, um álbum no Flickr.


Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... (...) A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.
MACHADO DE ASSIS, J. M., “O espelho”. In: Antologia, Civilização Brasileira, 1981.

Machado de Assis no conto O espelho, trata, por meio do narrador-personagem da existência de duas almas: a interior e a exterior, como duas metades. A leitura do texto foi um dos disparadores da reflexão a que me propus no trabalho imagético que se segue: o resgate dessa ideia de “alma exterior”, do reconhecimento do indivíduo nas coisas que o cercam, nos objetos, naquilo que ele vê, em projeção.

No trabalho em questão, reflito, por meio da criação de imagens poéticas, sobre o processo de individuação sobre o qual discorre o filósofo francês, Gilbert Simondon,  processo que acontece em nós tanto na relação com o Outro como na relação com as coisas, com o ambiente ao redor, no espaço e também no tempo, na duração em que isto se dá.

Do espelhamento sugerido por M. de A. nos estendemos para o tema da multiplicidade. Pode-se dizer que há o reconhecimento do indivíduo não só naquilo que ele vê, nas imagens que o rodeiam (imagens externas), mas também naquelas que ele cria (inspiradas em suas imagens internas), como no trabalho artístico.

Nesta abordagem, pode-se notar o acúmulo de camadas como sobreposições do tempo naquilo que envelhece – a poeira, pequenos pedaços de folhas secas, o verniz que se desfaz na superfície da madeira, os veios que se abrem em linhas fortes, os desenhos da ferrugem no metal em diversas tonalidades, raízes e musgos que crescem sobre a matéria, cascas que se quebram – além da sobreposição das palavras sobre a imagem, dialogando com a composição fotográfica, como mais um elemento material incluído na obra. A intersecção entre fotografia e literatura traz também a multiplicidade da linguagem, produzindo imagens em conjunto. A obra oferece uma experiência sensorial, ao explorar o olhar háptico na construção de sua plasticidade. Como numa obra aberta, são múltiplas também as interpretações, pois a obra só se completa ao despertar as sensações e o referencial próprio do receptor. As imagens oferecidas são fragmentos de objetos ou de espaços maiores, que não são dados a ver por completo, fazendo com que a interpretação e o sentido só se completem na imaginação e na mente de cada um.

Para a execução desta obra foram feitas as fotografias na cidade de origem da autora, no interior do estado de São Paulo. As matérias-primas foram partes dos portões de entrada de sua casa e outros elementos pertencentes à antiga fachada. Após ter feito as fotografias, houve a seleção do material e impressão em papel fotográfico mate fosco, possibilitando a inserção dos textos com o uso de nanquim e tinta acrílica. Tais fotos foram, então, refotografadas, sem inserção de filtros ou recursos de tratamento de imagem. 

Para a escolha dos textos foram selecionados poemas da escritora e filósofa capixaba Viviane Mosé (incluindo a frase do escritor Guimarães Rosa, citada por ela em um de seus livros) e partes de poemas do escritor argentino Jorge Luis Borges.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

  
abrigado em meu coração, o segredo latente arde e se abre em flores minhas suas. eu o amo. quem nos pintou assim com traços fortes senão esse amor - carícia de modelar águas ou pedras ao longo dos tempos e das dores?
  

domingo, 13 de maio de 2012


porque nasci assim
forte e sensível ao toque 
observo como pedra, 
                              sólida 
                                      lenta, 
ou como rio, tudo de passagem
lambendo superfícies, sentindo o gosto das coisas
penetro interiores que nem sempre me agradam


porque nasci frida
Frida, que de fria não tinha nada,
não sei ter olhos diferentes dos que lanço ao mundo
(en)laços de fita ou de fitar 
abraço, tranço imagens como cabelos
e tudo nasce de mim como um novelo


velhos sentimentos se dilatam
todo registro acena como um espelho.
  


domingo, 6 de maio de 2012

  
guardo sonhos em compota
e deles faço doces em calda

(ao lado da cidra e do figo)
guardo-os em vidro e não em lata
pra que de dentro me espreitem 
e me adocem de soslaio

quando aquele gosto me falta
 
  
triste, triste
domingo um pouco nublado


cantos da casa anuviados
ameaçam chover
ao toque de um sopro


um simples suspiro


cansaço
  
  
vontade que a boca emudeça e fique quieta
possa dizer apenas aquilo 
que interessa
  

sexta-feira, 2 de março de 2012

  
love saves the day
love saves the night
love saves quite quickly


completely
 

and not so quiet.

  





















O poema é meu, o desenho é do Paul Rand, que me inspirou a dizer..rs. 

sábado, 10 de dezembro de 2011

   
às vezes acho que a vida é uma mentira.
mas o grande consolo é sempre o de que tudo ainda está por ser inventado...

quando doer é só olhar pra dentro.

é de lá que se reinventa tudo
até mesmo o tempo.
  

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ironia

  
eu sou a ilusão

uma descarga holográfica
na qual os outros projetam coisas
e me sustentam no olhar

aviso - cuidado - pois a sintonia é fina

e posso desaparecer,

             como um chiado...
 

domingo, 2 de outubro de 2011

(em construção...)


pareço feita de terra
ando com cheiro de terra molhada.
sou um quintal solto no mundo
feito pra árvores de sonhar feliz.

quero que cresça em mim, homem árvore frondoso,
pra subir descalça nos seus galhos,
desafiar alturas, fazer balanço,
colher seus frutos e mordê-los,
com a boca saborosa
de quem ama
  
  
acordo esta manhã. 
a luz do sol lambe delicadamente 
meu corpo que te espera.
 
  
convulsão de instintos
vulcão sem calma
   
o inesperado desse encontro
consumiu a minha alma.
  
 
lanço chispas sem receio
olhos miram
sonhos brilham
por inteiro.
  

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

    
de susto em susto

suspiro 

inspiro

sonho 

respiro

pra manter a inspiração.
 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sábado, 20 de agosto de 2011

Poema "para Sartre" no 3º A(o)gosto das Letras em Ourinhos

fotos por Fernando Moura, meu pai!
Poema Para Sartre, de Carolina Bassi em exposição durante o Festival de Literatura, A(o)gosto das Letras
De 20 a 28 de agosto, acontece em Ourinhos o A(o)gosto das Letras, Festival de Literatura que em sua 3ª edição é bastante celebrado não apenas em sua cidade mas por toda a região. O evento conta com leituras, mesas de discussão, oficinas, exposições e lançamento de livros. 

A iniciativa valorosa e competente da Secretaria de Cultura de Ourinhos, sob o comando de Neusa Fleury, leva ao público uma diversificada seleção de artistas que vai de poetas, dramaturgos e jornalistas a músicos e atores para vivenciar o campo da literatura em toda a sua amplitude.

Entre as atrações, Recital Poético com Elisa Lucinda (dia 26), show com Guca Domenico (dia 24), mesa de discussões com Mário Bortolotto e Lourenço Mutarelli (dia 20), Marcelino Freire (dia 23), Xico Sá e Mona Dorf (dia 25), oficina de escrita criativa com Melina Anthis (dia 27) e exposição de poemas de Carolina Bassi, de Luis Pinheiro, de Miro Cardoso, entre outros, por toda a cidade durante todo o evento.

Confira programação completa em: http://curtaourinhos.blogspot.com/ e não perca!

Abraço caloroso,
Carolina

quinta-feira, 18 de agosto de 2011