Direção de Arte, Cenografia, Figurino, Produção de Arte e Objetos + Atrevimentos Literários, Ilustrados e Fotográficos
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
as coisas que me roubam de mim
são muito abastadas delas mesmas
tanto, que não se bastam.
há aquelas que me roubam
num súbito insuspeito, como bênçãos
e ao voltar a mim, sinto que me ganhei renovada como um presente
mas há aquelas que me roubam
só para eu me perder,
sem dó nem mágoa, na primeira esquina, ou virada.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
imagens do re-verso
imagens do re-verso, um álbum no Flickr.
Cada criatura humana traz duas almas
consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... (...) A alma exterior pode ser um
espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há
casos, por exemplo, em que um
simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a
polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um
tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida,
como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma
laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e
casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência
inteira.
MACHADO
DE ASSIS, J. M., “O espelho”. In: Antologia, Civilização Brasileira, 1981.
Machado de Assis no conto “O
espelho”, trata, por meio do
narrador-personagem da existência de duas almas: a interior e a exterior, como
duas metades. A leitura do texto foi um dos
disparadores da reflexão a que me propus no trabalho imagético que se segue: o
resgate dessa ideia de “alma exterior”, do
reconhecimento do indivíduo nas coisas que o cercam, nos objetos, naquilo que
ele vê, em projeção.
No trabalho em questão, reflito, por meio da criação de imagens
poéticas, sobre o processo de individuação sobre o qual discorre o filósofo
francês, Gilbert Simondon, processo que acontece em nós tanto na relação com
o Outro como na relação com as coisas, com o ambiente ao redor, no espaço e
também no tempo, na duração em que isto se dá.
Do espelhamento sugerido por M. de A. nos estendemos para o tema da
multiplicidade. Pode-se dizer que há o reconhecimento do indivíduo não só
naquilo que ele vê, nas imagens que o rodeiam (imagens externas), mas também
naquelas que ele cria (inspiradas em suas imagens internas), como no trabalho
artístico.
Nesta abordagem, pode-se notar o acúmulo de camadas como sobreposições
do tempo naquilo que envelhece – a poeira, pequenos pedaços de folhas secas, o
verniz que se desfaz na superfície da madeira, os veios que se abrem em linhas
fortes, os desenhos da ferrugem no metal em diversas tonalidades, raízes e
musgos que crescem sobre a matéria, cascas que se quebram – além da sobreposição
das palavras sobre a imagem, dialogando com a composição fotográfica, como mais
um elemento material incluído na obra. A intersecção entre fotografia e
literatura traz também a multiplicidade da linguagem, produzindo imagens em
conjunto. A obra oferece uma experiência sensorial, ao explorar o olhar háptico na construção de sua plasticidade.
Como numa obra aberta, são múltiplas também as interpretações, pois a obra só
se completa ao despertar as sensações e o referencial próprio do receptor. As
imagens oferecidas são fragmentos de objetos ou de espaços maiores, que não são
dados a ver por completo, fazendo com que a interpretação e o sentido só se
completem na imaginação e na mente de cada um.
Para a execução desta obra foram feitas as fotografias na cidade de
origem da autora, no interior do estado de São Paulo. As matérias-primas foram
partes dos portões de entrada de sua casa e outros elementos pertencentes à
antiga fachada. Após ter feito as fotografias, houve a seleção do material e
impressão em papel fotográfico mate fosco, possibilitando a inserção dos textos
com o uso de nanquim e tinta acrílica. Tais fotos foram, então,
refotografadas, sem inserção de filtros ou recursos de tratamento de
imagem.
Para a escolha dos textos foram selecionados poemas da escritora e
filósofa capixaba Viviane Mosé (incluindo a frase do escritor Guimarães Rosa,
citada por ela em um de seus livros) e partes de poemas do escritor argentino
Jorge Luis Borges.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
porque nasci assim
forte e sensível ao toque
observo como pedra,
sólida
lenta,
ou como rio, tudo de passagem
lambendo superfícies, sentindo o gosto das coisas
penetro interiores que nem sempre me agradam
porque nasci frida
Frida, que de fria não tinha nada,
não sei ter olhos diferentes dos que lanço ao mundo
(en)laços de fita ou de fitar
abraço, tranço imagens como cabelos
e tudo nasce de mim como um novelo
velhos sentimentos se dilatam
todo registro acena como um espelho.
domingo, 6 de maio de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
sábado, 10 de dezembro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
ironia
eu sou a ilusão
uma descarga holográfica
na qual os outros projetam coisas
e me sustentam no olhar
aviso - cuidado - pois a sintonia é fina
e posso desaparecer,
como um chiado...
domingo, 2 de outubro de 2011
(em construção...)
pareço feita de terra
ando com cheiro de terra molhada.
sou um quintal solto no mundo
feito pra árvores de sonhar feliz.
quero que cresça em mim, homem árvore frondoso,
pra subir descalça nos seus galhos,
desafiar alturas, fazer balanço,
colher seus frutos e mordê-los,
com a boca saborosa
de quem ama
colher seus frutos e mordê-los,
com a boca saborosa
de quem ama
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Poema "para Sartre" no 3º A(o)gosto das Letras em Ourinhos
fotos por Fernando Moura, meu pai!
Confira programação completa em: http://curtaourinhos.blogspot.com/ e não perca!
Abraço caloroso,
Carolina
| Poema Para Sartre, de Carolina Bassi em exposição durante o Festival de Literatura, A(o)gosto das Letras |
![]() |
De 20 a 28 de agosto, acontece em Ourinhos o A(o)gosto das Letras, Festival de Literatura que em sua 3ª edição é bastante celebrado não apenas em sua cidade mas por toda a região. O evento conta com leituras, mesas de discussão, oficinas, exposições e lançamento de livros.
A iniciativa valorosa e competente da Secretaria de Cultura de Ourinhos, sob o comando de Neusa Fleury, leva ao público uma diversificada seleção de artistas que vai de poetas, dramaturgos e jornalistas a músicos e atores para vivenciar o campo da literatura em toda a sua amplitude.
Entre as atrações, Recital Poético com Elisa Lucinda (dia 26), show com Guca Domenico (dia 24), mesa de discussões com Mário Bortolotto e Lourenço Mutarelli (dia 20), Marcelino Freire (dia 23), Xico Sá e Mona Dorf (dia 25), oficina de escrita criativa com Melina Anthis (dia 27) e exposição de poemas de Carolina Bassi, de Luis Pinheiro, de Miro Cardoso, entre outros, por toda a cidade durante todo o evento.
Entre as atrações, Recital Poético com Elisa Lucinda (dia 26), show com Guca Domenico (dia 24), mesa de discussões com Mário Bortolotto e Lourenço Mutarelli (dia 20), Marcelino Freire (dia 23), Xico Sá e Mona Dorf (dia 25), oficina de escrita criativa com Melina Anthis (dia 27) e exposição de poemas de Carolina Bassi, de Luis Pinheiro, de Miro Cardoso, entre outros, por toda a cidade durante todo o evento.
Confira programação completa em: http://curtaourinhos.blogspot.com/ e não perca!
Abraço caloroso,
Carolina
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