a floresta densa e selvagem dos meus cabelos
esconde um pássaro a pedir passagem
pelos ouvidos
uma ave de domar ventos
meus cabelos são crinas a fazer desenhos
artmista
Direção de Arte, Cenografia, Figurino, Produção de Arte e Objetos + Atrevimentos Literários, Ilustrados e Fotográficos
sexta-feira, 14 de abril de 2017
domingo, 19 de junho de 2016
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Diário dos Futuros Pesquisadores - Cenografia 2
Seguindo com a série Diário dos Pesquisadores, iniciada na Quadrienal de Praga em 2011 com o Diário das Escolas, chegamos ao lançamento da segunda edição de Diário dos Futuros Pesquisadores - Cenografia.
Foi com imensa alegria que percebemos surgir ainda mais reflexões em torno da cenografia e do traje de cena, reunindo, desta vez, um número ainda maior de futuros pesquisadores!
Seguimos então, trabalhando e torcendo para que venham muitas outras edições, revelando mais e mais reflexões nesta área.
Boa leitura!
Foi com imensa alegria que percebemos surgir ainda mais reflexões em torno da cenografia e do traje de cena, reunindo, desta vez, um número ainda maior de futuros pesquisadores!
Seguimos então, trabalhando e torcendo para que venham muitas outras edições, revelando mais e mais reflexões nesta área.
Boa leitura!
domingo, 29 de setembro de 2013
CRÔNICAS DO BILHETE estréia com:
Um gesto de aproximação ou o anúncio de um tapa - Kafka no teatro
por Carolina Bassi
Meu bilhete deste sábado, no 1o. Encontro de Monólogos na sede do Club Noir. |
Esperei bastante para ver esta peça. De
outras vezes que estivera em cartaz não pude ir por não ter conseguido me programar a tempo, ou por não estar na
cidade, ou por estar em algum outro compromisso no mesmo horário, de forma que fiquei
esperando o momento em que pudesse vivenciar este olhar sobre o conto de Franz Kafka.
Trata-se de Comunicação
a uma Academia, peça com direção de Roberto Alvim e interpretação de
Juliana Galdino. Eu, que já havia lido as críticas a respeito do espetáculo, já
sabia da esplendorosa atuação de Juliana, indicada, inclusive, ao Prêmio Shell de Melhor Atriz (2009) pelo papel. Mas, é preciso que se diga, uma coisa é ler sobre o que é este espetáculo,
e, outra coisa, é presenciá-lo em toda a sua força.
Adentramos a sala, um soldado fardado e armado guarda e
vigia o ambiente. Nós, espectadores, escolhemos nossos assentos no teatro e nos
vemos à frente de uma grande parede de textura verde, em que se encontra
pendurada uma cabeça de alce. A textura, com a iluminação baixa, se parece à de
um papel de parede o que, somado à cabeça de animal destacada suavemente por um
feixe de luz diagonal, nos remete a uma sala de certa sofisticação européia.
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Fonte: Divulgação Club Noir |
No entanto, entra em cena, o protagonista, Pedro, Vermelho, que, contando-nos sua história, faz com que a textura verde do fundo nos sugira a
floresta da qual ele, o macaco, fora arrancado. Ao mesmo tempo, a cor verde cria um
contraste ligeiramente vibrante para a maquiagem avermelhada do rosto do
personagem, que nos salta aos olhos colaborando com a face expressiva de
Juliana. A maquiagem é sutil, mas, somada ao potencial da voz, do semblante da
atriz e da iluminação recortada, é precisa e proporciona a verdadeira impressão
de que estamos diante daquele de que nos fala no conto de Kafka, em toda a sua plenitude.
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Fonte: Bob Souza |
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Fonte: Bob Souza |
A iluminação, somada à presença pontual de tão poucas cores e ao traje e caracterização já descritos, chega a nos dar uma impressão de registro fotográfico antigo, ou de um espetáculo de "atrações" do início do século.
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Fonte: Divulgação Club Noir |
A cabeça de alce posta na parede parece nos lembrar de que
nossa porção selvagem já foi domada, derrotada. O alce não passa de uma
decoração exótica na sala para exibir a vitória da civilização sobre a natureza
em nós. Entretanto, se olharmos bem, esta alegoria pode certamente significar
que nosso caráter primitivo estará sempre lá, nos espreitando de dentro da mata
densa e vasta de nosso inconsciente, pronto a se manifestar. Em “entrevista” à
extinta revista Bravo!, o personagem, logo após atestar seu estado de civilidade ao entrevistador, o provoca: “Mesmo assim, não nego que meu passado animal às
vezes tenta se impor e mordisca meus calcanhares. Uma ameaça que, imagino, se
coloque ao senhor também.”[1]
O soldado fardado e armado, tão estático durante a
comunicação, está ali em cena em ligação a esta mesma ideia - em estado de
vigília. Está presente como uma garantia dessa civilização que, se necessário,
usa de armas tecnológicas para frear qualquer tipo de manifestação inapropriada,
que possa ameaçar a ordem estabelecida. Não é a toa que, logo que nos sentamos,
ele parte para a sua primeira ação: estender a nossa frente um elegante cordão
de isolamento - uma corda branca presa de lado a lado por dois
mastros de metal cromado. A intenção é a de nos “proteger”, nos manter
afastados, como se houvesse qualquer perigo na aproximação, no contato físico.
A atitude é semelhante ao isolamento proposto no zoológico, instituição tão
temida por Vermelho, na qual observamos, à distância, a atitude exótica dos
animais, sem nos misturarmos a eles, diferenciando-nos com superioridade.
Interessante mesmo é que, aqueles que tem o dom da fala, ou
da comunicação, não mencionam uma só palavra. Nem o soldado presente em cena,
nem os outros humanos descritos por Vermelho, que riem e interagem de modo
grotesco, não apenas com o macaco, mas entre si. Ao nos depararmos com homens
que agem de modo tão animalesco, sem sensibilidade ou pensamento próprio,
deparamo-nos com um homem desprovido de sua própria humanidade. Ou faz com que nos
questionemos - o que é, afinal, a natureza humana? Nós não vemos estes homens,
mas sabemos, pelo protagonista, que eles têm modos idênticos
entre si, sem individualidade, o que fatalmente alfineta o modo como buscamos
nos assemelhar uns aos outros, seguindo todos a mesma ideologia dentro de nossa
cultura cada vez mais globalizada e, portanto, cada vez mais pasteurizada e
intolerante às diferenças.
Em oposição à incomunicabilidade dos humanos, Vermelho
comunica-se e muito bem. As entonações construídas pela atriz, o ritmo de sua
fala, a textura escolhida para dar voz ao personagem, resultam em uma
complexidade tal como se a atriz tivesse construído para sua fala uma
verdadeira partitura musical. Ficamos paralisados como que diante de uma experiência mística. E sua musicalidade talvez seja ainda mais plena
devido ao pertencimento do personagem, mais identificado com a natureza, conforme pode-se
notar no trecho do conto:
Nunca senti falta do verbo. Inclusive, a construção melódica
que os senhores associam às palavras está na natureza inteira. Grunhidos,
assovios, uivos, são conversas. Sempre me comuniquei muito bem por gestos e
mímicas.
Sobre esse desenho de voz, a atriz conta:
Eu não faço esse papel. É alguma coisa que acontece. Falando
assim, parece que eu sou uma atriz tomada, mas não sou. Sou atriz super técnica,
ajudei a criar a voz, o tom, a disposição física, mas tudo isso é habitando as
energias propostas pelo autor. Eu só ajudo na voz, no desenho, mas quem faz
mesmo acontecer é a atmosfera proposta pelo Kafka. A minha “construção” só tem
um certo impacto porque não tentei trazer a obra até a minha dimensão ou
compreensão acerca do mundo e das coisas, mas me propus a experienciar a
dimensão proposta pelo autor. Tentei traduzir na minha resposta estética algo
muito próximo do que experimentei quando li Comunicação.
Se em algum momento eu tivesse sentido que não estava traduzindo a obra em sua
potência plena não haveria porque montá-la. [2]
A concisão de elementos cênicos combina com o profundo
silêncio do espetáculo permeado apenas pela voz do personagem e por trechos de
uma lindíssima música orquestral incidente, conforme referida no próprio texto
de Kafka, carregando “a tinta” das emoções despertadas pela encenação [3].
Como objetos manipuláveis pelo personagem tem-se apenas três: o cachimbo, um
isqueiro e uma clássica garrafa de bolso cromada, onde ele transporta o
álcool que bebe. Fica clara a aversão de Vermelho ao álcool, pois que se trata
de um artifício que bestifica os sentidos e amortece as percepções. Mesmo assim,
como uma lição aprendida, ele o insere em seu cotidiano devido ao fato de que,
ao lado do álcool, torna-se mais bem aceito na sociedade, assim como o faz com o hábito
de fumar o cachimbo. Podemos notar também que ambos os hábitos são formas de se
aniquilar aos poucos e podem nos remeter às ideias de suicídio mencionadas pelo
macaco ainda enjaulado no navio, tentando abreviar o sofrimento de estar vivo e
sem liberdade. Ambos os vícios mencionados, como tantos outros vícios humanos,
parecem ser adotados para que se suporte melhor a vida que se tem. Uma saída
absolutamente triste como a do personagem em sua caminhada final, da direita
para a esquerda do palco, a passos cambaleantes e doloridos (seja pela bebida,
seja pela bala que o atingira antigamente ao ser caçado – e fica explícita
aqui, mais uma vez, a ligação entre uma coisa e outra, os vícios também
podem diminuir nossa capacidade de ação e
facilitar que nos aprisionem).
O espetáculo acabou e foi maravilhoso tê-lo visto. Anotei
rapidamente alguns pensamentos com receio de que se perdessem. Fui andando até
o metrô para ir para casa, pois que havia ido sozinha ao teatro. Era sábado à
noite, muitas pessoas nas ruas, muitos grupos de pessoas. Reparo como se vestem
de modo parecido, duas moças que dessem a rua usando calças justas vermelhas,
tênis colorido e blusa preta, quando dois rapazes externam o que eu penso com
uma piada: “Vão cantar onde hoje, hein?”. Fazia muito frio, andei mais um pouco
e avistei duas outras moças que usavam apenas shorts jeans, tênis e jaquetas brancas.
Refletiam a repetição humana descrita na peça, e isso nem era novo à minha
percepção, apenas me parecia arrepiante.
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Fonte: Divulgação Club Noir |
Adentro o espaço do metrô, ouço uma música que me agrada e
vem de lá de dentro. Vejo dois músicos que se apresentam aos passantes: um
rapaz, de pé, toca violino, e uma moça, sentada no degrau da escada, toca um instrumento diferente, composto
de teclado e sopro, apoiado em seus joelhos. Aprecio um tempo a delícia
daquele som e nutro um pouquinho mais de fé, retomando os pensamentos anteriores, quando ouço uma voz
pelos auto falantes do metrô: “É proibido sentar-se nos degraus das escadas e
no chão. Por favor, não sente no chão.”
É, a chamada “civilizatória” atrapalhou a música, mas o anúncio em mais alto e bom som veio da peça nesta noite de sábado - sim, Vermelho comunicou-se comigo, estou em renovado estado de alerta.
É, a chamada “civilizatória” atrapalhou a música, mas o anúncio em mais alto e bom som veio da peça nesta noite de sábado - sim, Vermelho comunicou-se comigo, estou em renovado estado de alerta.
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Juliana Galdino em cena de Comunicação a uma academia. Fonte: Divulgação Club Noir. |
[1] Entrevista concedida por Pedro, o Vermelho, no quadro
Máscara, da revista Bravo!,
disponível em <http://www.youtube.com/watch?v=jTUV5nB66sA>,
acesso em 27 de setembro de 2013.
[2] Entrevista concedida por Juliana Galdino ao crítico
Miguel Arcanjo Prado disponível em <http://entretenimento.r7.com/blogs/teatro/2013/04/17/juliana-galdino-volta-a-virar-macaco-em-comunicacao-a-uma-academia-no-cit-ecum/>
acesso em 27 de setembro de 2013.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Diário dos Futuros Pesquisadores: Cenografia
Olá, pessoal,
A série "Diário dos Pesquisadores", iniciada na Quadrienal de Praga em 2011 com o Diário das Escolas (que se encontra publicado integralmente neste site), ganha novo volume, agora dedicado aos futuros pesquisadores da cenografia e dos trajes de cena. A série de publicações demostra que as buscas são constantes. Alimentar a pesquisa é fomentar nossas criações, tornando-as mais plenas em seus significados.
Este livreto, inteiramente composto por artigos de alunos e formandos de graduação e especialização, traz uma pequena amostragem do que se tem investigado em universidades de São Paulo em torno do tema cenografia. Fica registrado, de forma discreta, o nível crescente de interesse pela pesquisa cenográfica.
Boa leitura!
sábado, 9 de março de 2013
Fotos - casamento da Iris e do Paulo
Casamento da Iris e do Paulo, um álbum no Flickr.
Aqui vão as minhas fotos do casório!!Beijos grandes!
Carol
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